Descobrir a riqueza existente na alma de cada um e configurar a arte como eixo principal para a felicidade. Este é o meu propósito. Perceber e fazer arte em cima daquilo que foi descartado, creio ser uma das mais significativas expressoes de criatividade. Como matemática eu não conseguiria desenvolver este trabalho sem a amizade de uma artista verdadeira: a Mariana Martinelli. Quero publicar os trabalhos lindos da Mariana, de meus alunos e os meus trabalhos.
domingo, 5 de agosto de 2012
sábado, 4 de agosto de 2012
Quadragesimo Quadro de Quarenta - O ULTIMO JAGUNÇO
Nome do quadro:
O ÚLTIMO COMANDANTE JAGUNÇO
Adeodato Ramos aos poucos tenta ganhar a confiança dos carcereiros, aproveitando o descuido da sentinela, ataca-o e toma o seu fuzil. O fato não passou despercebido, o major Trujilo de Mello ordena que pare. Adeodato instintivamente aponta o seu fuzil em direção ao major, mas estava vazio e o mesmo não acontece com o fuzil do major. Sem saber, Adeodato tinha caído numa armadilha republicana, sendo exterminado o último jagunço de José Maria. Ele ainda é levado para a enfermaria, mas não agüenta o ferimento, morrendo minutos depois, sendo enterrado numa simples cova como indigente. Nesse dia histórico, morre o flagelo de Deus e nasce a lenda no contestado. Adeodato Manoel de Ramos, último comandante "Jagunço" é preso e enviado para a cadeia em Florianópolis. 7 anos depois tenta fugir e é morto por um oficial... (Nos anos que se seguiram, os sobreviventes sertanejos continuaram sendo caçados e fuzilados, ou degolados, por policiais e piquetes de vaqueanos, a mando dos coronéis). Acuado, o líder rebelde concentrou o movimento nas margens dos rios Santa Maria e das Tripas, em Timbó Grande. Num vale de difícil acesso, ele mandou erguer uma igreja dedicada a São Sebastião e construir as primeiras casas de palha. Pela região se espalhou a notícia de que as águas dos rios eram milagrosas. Estima-se que cerca de dez mil caboclos passaram a viver no novo reduto. Aos poucos Santa Maria ficou isolada. Os "bombeiros" - espiões do movimento - informaram a Adeodato que chefes rebeldes estavam se rendendo nos quartéis. Em Itaiópolis, Antônio Tavares se entregou aos militares. Perto dali, em Canoinhas, era Bonifácio Papudo que desistia da guerra. Tanto Tavares quanto Papudo eram considerados líderes militares com experiência em confrontos com tropas legais. A desistência dos dois chefes de reduto aumentou, no entanto, o número de moradores de Santa Maria. Muitos dos caboclos que estavam sob suas ordens percorreram trajetos de cem quilômetros para se juntar ao grupo de Adeodato. Mesmo com a queda da "virgem" Maria Rosa no comando do movimento, a religiosidade não foi abandonada por completo pelos novos líderes rebeldes. Adeodato garantiu o protagonismo dos caboclos no movimento do Contestado.
Trigesimo Nono Quadro de Quarenta - O POVO DO CONTESTADO
O POVO DO CONTESTADO
1. A Guerra do Contestado não foi a simplicidade de caboclos mal educados que, em forma de bandidos, resolveram atacar os civilizados, na categoria de bárbaros. Foram, isso sim, revoltados contra a ordem social de exclusão social a que foram submetidos sem lhes dar a mínima oportunidade de defesa legal perante os tribunais. 2. Toda situação político-social-cultural foi desfavorável ao pobre caboclo do sertão. Nem sabiam e nem conseguiram saber se eram catarinenses ou paranaenses, eram os excluídos de verdadeira cidadania. 3. Para eles não havia assistência religiosa de qualquer espécie. Ali não havia padres ou pastores. Não havia quem lhes batizasse os filhos, nem quem lhes preparasse para a Eucaristia. Nem Eucaristia existia ali. Eram os excluídos da religião. 4. A República fora proclamada sem consulta popular. Nunca na cidade, e muito menos nos sertões, a população fora ouvida - assim, não é de admirar que tivessem proclamado, nos sertões de Santa Catarina, a monarquia contra a República que, mais do que nunca, os excluía. Eram os excluídos políticos. 5. Justiça, naqueles cafundós, era a lei dos mais fortes. Para obtê-la, a seu modo, o jeito era os fracos se unirem em torno de um líder, pois é a união que faz a força. Só assim conseguiram a sua justiça. A justiça à moda cabocla sob a luz de costumes, lendas, crenças, visões e manipulações de vários líderes. Para eles, naquele fundo de mata, era ainda melhor estar mal acompanhado do que só, pois eram os excluídos de toda justiça.
Trigesimo Oitavo Quadro de Quarenta - CHICA PELEGA E OS DOZE PARES DA FRANÇA
Nome do quadro:
CHICA PELEGA E SEU EXÉRCITO “DOZE PARES DA FRANÇA”
Durante os quatro anos que durou a Guerra do Contestado morreram cerca de 20 mil pessoas - equivalente a um terço da população de Santa Catarina, à época. E também milhares de militares.
O movimento revoltoso teve, ao longo desses anos, várias lideranças que comandaram com êxito muitos combates e ofensivas. Entre eles Venuto Baiano, Chico Ventura, Aleixo Gonçalves, Antonio Tavares, Adeodato Ramos, Bonifácio Papudo e Alemãozinho (que traiu o movimento). Atuavam sob a forma de guerrilha, conseguiam infiltrar espiões regularmente - os bombeiros - nas forças que os combatiam, lutavam com revólveres, espingardas e no corpo a corpo com facões de pau feitos de madeira duríssima da região. Apoiados numa forte crença de ressurreição e retorno nos exércitos encantados de São Sebastião, eram ferozes e destemidos em combate.
Conseguiram forças para uma resistência inédita na história e só foram subjugados pela fome e extermínio sistemático nos redutos invadidos com a degola dos prisioneiros. Tinham um confuso discurso de fundar uma monarquia, na verdade um sonho de voltar aos tempos em que a vida havia sido mais digna e generosa.
Voltemos ao passado. Em 1912, mês de outubro, um destacamento da Força Pública do Paraná desloca-se de Curitiba para a pequena cidade de Palmas, no sul do estado, ponto de entrada da região àquela época disputada pelos estados de Santa Catarina e Paraná. O objetivo era atacar um grupo de "fanáticos" reunidos em torno de um homem, o monge José Maria, que, segundo se dizia, havia proclamado a "restauração da monarquia". Os "fanáticos", reunidos em torno do monge, reagiram ao ataque policial e assistiu-se a uma sangrenta luta entre sertanejos e soldados. Com essa batalha, teve início a "Guerra do Contestado", que sacudiu aqueles sertões até 1916. "[...] era certo que José Maria levava consigo a História de Carlos Magno e dos Doze Pares de França e nas horas de folga fazia a leitura de capítulos aos que o seguiam [...]. Nos sertões do Contestado, àquela época, era comum a existência, mesmo longe das vilas, de uma velha edição dessa história. Um repórter observou que entre os raros sertanejos alfabetizados 'o livro predileto é uma maravilhosa História de Carlos Magno que entusiasma e alucina o seu espírito primitivo com aventuras extraordinárias de heróis invencíveis, homens que sozinhos atacam e derrotam exércitos aguerridos'. Ignora-se de que maneira José Maria comentava as façanhas dos cavaleiros da Távola Redonda, mas - como irão confirmar os episódios subsequentes - essa literatura que exaltava a coragem pessoal, a luta contra os 'infiéis' e a fraternidade entre os campeões, marcaria diretamente os acontecimentos".
Desde Caraguatá, os pares de França constituíram sempre um piquete de elite, especializado no manejo de 'arma branca', pronto a intervir corpo-a-corpo no momento decisivo dos combates. [...] Os pares de França, como piquete permanente de elite, foram sempre integrados por vinte e quatro homens, inclusive o seu comandante próprio, mas exclusive o tamboreiro. Eram armados de garrucha e facão, que sempre constituíram, antes mesmo do movimento, as armas dos pobres. [...] Os pares de França se escolhiam entre os mais ágeis, os mais destros e os mais habilidosos no manejo do facão. Eram geralmente antigos praticantes do cortejo, uma espécie de esporte ou esgrima popular em que muitos sertanejos se exercitavam em todo momento de folga. O cortejo ou esgrima a facão requeria grande habilidade. 'Isto sim - diziam os caboclos - requeria coragem; não era máquina, como o revólver'" (Queiroz, 1981, p. 185).
Curioso notar que os Doze Pares de França das histórias de Carlos Magno são doze cavalheiros, pares entre si, ou seja, iguais, da mesma espécie, semelhantes. Segundo o dicionário Petit Robert, "par", no período feudal, "se dizia de vassalos que tinham o mesmo sangue com relação ao suserano" (Robert, 1978, p. 1.341). Na irmandade do Contestado, os doze pares são 24. Maria Isaura Pereira de Queiroz (1993-94, p. 36) chega a afirmar que seriam 26. De qualquer modo, o termo "par" passa a ser concebido pelos sertanejos na sua acepção mais usual, a de dupla. Assim sendo, as histórias de Carlos Magno, embora tenham origem histórica, tornaram-se criações lendárias que acabam por não dever quase nada aos acontecimentos históricos propriamente ditos. Como bem aponta Carpeaux (1978, p. 139), "a intervenção de Carlos Magno e dos seus 'pares' naquela luta (as lendas da guerra da Igreja Católica contra os infiéis, nos caminhos da romaria para Santiago de Compostela) introduziu extensa matéria de outra proveniência, lembranças de guerras feudais francesas, na própria França e em todo o mundo; tradições germânicas, pedaços do ciclo bretão e lembranças das Cruzadas contribuíram também para a elaboração de numerosas gestas em torno da 'geste de Charlemagne'".
Trigesimo Setimo Quadro de Quarenta - GUERRA DOS PELADOS
Nome do quadro:
A GUERRA DOS PELADOS
Outono de 1913, interior de Santa Catarina, Campanha do Contestado. A concessão de terras a uma companhia da estrada de ferro estrangeira para explorar suas riquezas através de uma serraria subsidiária, e a ameaça de redutos messiânicos de posseiros expropriados geram um sangrento conflito na região. Por exigência dos "coronéis", forças militares regionais e o Exército nacional intervêm. Mas, os "pelados" (assim chamados por rasparem a cabeça) se revoltam, protagonizando uma resistência à semelhança de Canudos. Os combatentes sertanejos foram chamados de pelados e seus opressores de peludos. Os pelados formaram tropas de elite nos redutos, os Pares de França, inspirados nas histórias do rei Carlos Magno. Queriam viver numa terra santa onde “tudo era irmão e irmã” e sob o signo de que “quem tem moe, quem não tem moe também, ficando no fim todos iguais”.
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